quarta-feira, 28 de outubro de 2015

DUETO Son Dos Poemas & Poeta Anônimo

Boca em forma de asa
Convidativa como uma taça
Transbordante de todas as graças
Capaz de longos silêncios
Sem nunca ficar calada
Qual será o gosto dessa boca
Além do amargor das madrugadas?
E como será o eco dessa língua
Que lapida tão bem as palavras?
Boca em forma de asa
Desenhada à mão
Com enorme precisão
Boca de pessoa abençoada
Quisera um dia saber
Os enigmas misteriosos
E os mistérios enigmáticos
Que povoam essa boca
Tão tentadora de se ver
Será que vela pela palavra sagrada
Será que cospe palavrões
A cada tropeçada
Será que conjuga a latência
Sempre irrealizada do nada
Será que beija com sofreguidão?
Beijo sincero
(Poeta Anônimo)

Boca Cuja Fôrma É Palavra


A boca que a linguagem traqueja 
Que a voz grita e verseja
Deita a língua que beija e veleja
Com sofreguidão e sorriso
Com desejo de paraíso
Que a traqueia faz suspirar
Que o céu da boca faz tocar
Delirar e criar asas rubentes
Festejar os agridoces diferentes
Boca que o paladar saboreia
Que inspira poesia e proseia
Faz o corpo dançar e serpenteia
Sussurra baixinho meus sons
Decifra os enigmas e os tons
Não gosta de caviar e se cala
Se fala come camarão
Boca misteriosa, não diz um se quer palavrão...
Se embriaga de fantasia pura em nudez
Conjuga o verbo sem censura com polidez
Sente o gosto do desgosto e do pecado
Aprecia o doce bom e bom bocado...
Agradece a homenagem
Assina os versos nessa linguagem...

Son Dos Poemas 

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