quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Olhar Nivelado



Olhar velado.

Da minha janela é fácil ver,
Toda gente que vai passando.
Eu menina só olhando,
Me perguntando, o que vão pensando?


Na rua pessoas de todos os tipos,
Homens , bonitos,altos ou desajeitados.
Mulheres também, de todo tipo,
Até idosos, sendo desrespeitados.

Janela alta, casa antiga,
Aquela que dá direto para a rua.
Parede divide o lado de dentro,
Lá fora vida, nua e crua.

Apoiada com as nádegas na comoda,
Cotovelos na parede na madeira.
Balançando as pernas vez em quando,
As vezes sentada na cadeira.

Absorvo cada rosto que passa,
Sem piscar, e com muita calma.
Parece que mastigo as imagens,
Como pipocas, carameladas para alma.

O cenário não muda sempre o mesmo,
Muitas casas lá do outro lado.
Rua, calçada, árvores e fios elétricos,
Ligando tudo que parecia ocultado.

Só pessoas que mudam tempo todo,
Não me canso,só olhando...
Aqui é um ponto do caminho,
Captura-se por pouco tempo,vão andando.

Não tem hoje, não tem ontem, não tem amanhã,
Nem nomes, nem história pra guardar.
Sequência não tem, coisa que cansa,
É tudo que vê, e se calar.

Não adianta, não resisto,
Coisa boa...é noite muita gente vai passar.
Na fresta entreaberta, bem nos vãos,
Lá vou eu na janela espiar.

Mulheres,salto alto batom perfume,
Gatos fuçando ,cães vadios abandonados.
Bebedeira mais profunda noite adentro,
Enquanto outros passam,e vão calados.

Bem em frente minha janela tem um poste!
Aquele de onde tudo se origina.
Insetos bailam no holofote,
Como bailarina toda menina se imagina.

Moço! você que está ai sentado,
Vá para os braços de quem ama.
Porque você não passa?
Vá para o aconchego de sua cama!

Rostos despontavam sobre a nevoa,
Ali por algum tempo se detinham.
Entravam e saiam do meu campo de visão,
E simplesmente desapareciam.

Ouço outras vozes, outros ruídos,
Ais de um alguém que clamou.
Não lembro de nenhum deles,
A não ser do moço que não passou.

Isto me incomodou, fui dormir cansada,
Sono de marinheiro no balanço do mar.
Sonho com tudo que vi na janela,
Era só sonho, muito sonho, sem parar.

Passou o tempo, como passa para todos,
Alguma emoção muito forte me aconteceu.
Toda menina se transforma em mulher,
A vista na janela emudeceu!

Aprendi com uma certa dor,
Que é impossível ter controle sobre o mundo.
Somos a convergência de muitas forças,
Que nos move, ou paralisa num segundo.

As vezes quando me aproximo da janela,
Fico olhando, pensando ali parada.
Com um certo sentimento, com olhar velado
Lembro com saudades, a menina do passado.

Zabele Rosa
02/11/2015

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