Senti
Hoje,
A madrugada nasceu
Sem suas cores avermelhadas...
Senti que o sol se escondeu
Por entre nuvens de silêncios
Que, no entanto feriam meus ouvidos,
Silêncios que de tão gritantes
Penetravam meus sentidos...
Pensei
Que tudo o que me rodeia
É efêmero
Assim como efêmera é a vida...
Senti que não há perto nem longe
Que tudo é tangencialmente precário
E deixei-me invadir por esse abandono
Que me levou a um estado
De total letargia...
Repentinamente senti-te...
Vinhas despido de tudo,
E eu reinventei-te apenas dos nossos sonhos
Nos poemas que dissemos um ao outro...
Vestias-te somente de olhar e sentimento
E o teu aroma vinha dos nossos jardins...
Vinhas coberto de paz,
E senti-me liberta de mágoas,
Apenas entregue às asas da fênix
Que em nossos momentos de amor renascia
Soltando fogo de pétalas azuis,
Que se afundavam em lagos de luz.
Enfeitei-me com o brilho das estrelas
Com que me envolvias nos beijos que me davas...
Por fim... Acordei...
Abandonou-me a tal letargia...
Mergulhei contigo
Nos sentidos profundos do amor
Nos segredos oníricos da poesia
E em segredo nossas almas felizes
Amaram-se até ser dia...
Helena Fragoso

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