quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A Ti Lisboa



A ti, Lisboa!

A ti que nunca esqueço por seres minha
Saudade do teu colo, do teu manto,
Em sonhos no voo de uma andorinha
Percorro tuas curvas com encanto
Mergulho no teu seio mais além
E te olho com paixão como ninguém.


Adentro a tua história de rainha 
Da qual eu me envaideço, orgulho tanto,
Transporto-me aos momentos que sozinha
Reguei tuas vielas com meu pranto.
Momentos em que não era "ninguém"...
Tu eras o meu pai e minha mãe.

Caminho nessa rua bem estreitinha
Invade-me esse teu suave canto
Dolente, dessa guitarra alfacinha,
Que soa lá da esquina de um recanto
Onde a voz que a domina tem também
Trinados que a Minh ‘alma em si contem

E num voo rasante de avezinha
Aterro no refúgio, esse que é santo,
Aquela doce e bela capelinha
Onde eu entrava sempre, e, entretanto,
Agigantou-se ao fundo, sabem quem?
A minha velha torre, a de Belém.

Ao Tejo dei as lágrimas que tinha
Na torre aconcheguei meu desencanto
A saudade que tinham era a minha
Ambos me entrelaçaram no seu canto...
Acordei meio louca, inda refém,
Do sonho de te ver Lisboa mãe.


Helena Fragoso

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