domingo, 11 de outubro de 2015

Quisera



Quisera 

Do que há para fundamentalmente religar
Talvez tudo seja apenas jogos de linguagem
Nascimento prematuro, vida absurda
E morte sempre abrupta
E se o mortal é bafejado pela sorte
Alguns segundos súbitos de alegria
Talvez os místicos estejam certos
E a vida seja a ponte de intermédio
Entre o secreto exuberante oásis
E o insuportável árido deserto
E todos os homens um dia serão felizes
Quisera eu ter essa certeza
Mas as janelas abertas da minha cabeça
Captam todos os sons que compõem o universo
E por mais esforços feitos para eu crer
As promessas de sol cotidianamente desfeitas
Jogam sobre os meus ombros
A pesada e errante pedra de Sísifo
E a crença baila como pavio ao vento.
(Hudson Ribeiro)
Bom dia!

Um comentário:

  1. Profundo! A dúvida somente se satisfaz da certeza, talvez não sejam as janelas que deveriam abrirem-se e sim os umbrais.

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